Etiqueta PBEV: transforme o número de consumo em uma conta que você pode revisar

Peugeot 2008 GT MHEV azul em imagem oficial; ilustração, sem medição de consumo.

Foto: Divulgação / Peugeot. Peugeot 2008 GT MHEV em imagem oficial ilustrativa; não representa medição de consumo. Fonte da foto.

Quando duas versões prometem economia, a pergunta mais útil não é “qual gasta menos?” sem contexto. É “qual número da etiqueta corresponde à versão, ao combustível e ao tipo de trajeto que eu vou usar?”. A resposta permite montar uma estimativa com premissas visíveis, em vez de tomar uma conta de anúncio como gasto garantido.

O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular reúne dados de veículos leves autorizados a ostentar a ENCE. Para o 18º ciclo, a página do Inmetro atualmente vincula o arquivo Tabela PBEV 2026_25_AGO.pdf, atualizado na página em 31 de agosto de 2026. A notícia de agosto informa que a tabela traz consumo energético, emissões e classificação de eficiência de veículos comercializados no Brasil. Inmetro — atualização PBEV 2026

Comece pela linha exata

Antes de copiar qualquer valor, faça a identificação completa: marca, modelo, versão, motorização, transmissão, combustível e ano-modelo. Uma diferença nesses campos pode levar a uma linha diferente da tabela.

Tipo de comparação Dado que deve ficar igual Erro que a conferência evita
Duas versões do mesmo carro Combustível, transmissão e ano-modelo Usar a etiqueta de outra configuração para estimar seu gasto
Cidade e estrada O cenário de uso de cada linha da planilha Tratar a maior parte urbana como se fosse rodoviária
Carro a combustão ou flex Combustível informado no cálculo Misturar resultado de gasolina com preço de etanol, ou o inverso
Elétrico e híbrido Unidade indicada pela tabela e fonte de energia da conta Converter potência de recarga em autonomia ou custo sem base

Não é preciso escolher “o melhor número” da etiqueta. É preciso escolher a linha que corresponde ao carro que está na proposta e explicar a hipótese usada no cálculo.

Monte uma planilha que mostre de onde veio cada real

Para um carro a combustão, separe cidade e estrada quando os dois trajetos fizerem parte da rotina. A estrutura pode ser esta:

Campo Exemplo de preenchimento
Quilômetros urbanos no mês Dado do seu deslocamento ou odômetro
Consumo urbano Valor da etiqueta da versão e combustível corretos
Litros urbanos Quilômetros urbanos ÷ consumo urbano
Preço do combustível Valor local anotado com data e origem
Subtotal urbano Litros urbanos × preço do combustível

Repita para a estrada e some os subtotais. O método deixa claro o que pode ser atualizado: seus quilômetros, o preço local e, caso a compra mude, a linha da etiqueta. Para elétricos e híbridos, mantenha a unidade publicada na tabela até verificar como ela se relaciona com a tarifa e a forma de recarga do seu caso; não preencha uma conversão improvisada só para obter um valor em reais.

Um exemplo com números hipotéticos

Suponha 600 km urbanos no mês, consumo de referência de 12 km/l e gasolina a R$ 6 por litro. A conta é 600 ÷ 12 = 50 litros; 50 × 6 = R$ 300. Esses números são didáticos, não pertencem ao carro da foto. Mais 200 km de estrada a 16 km/l acrescentariam 12,5 litros ou R$ 75: total estimado de R$ 375.

Use seus dados na calculadora de combustível do Motor Claro.

Use a etiqueta para comparar, não para prometer

A tabela PBEV serve para colocar versões sob uma referência comum. Ela não registra seu trânsito, carga, percurso nem a forma como cada motorista conduz. Por isso, o resultado da planilha é uma estimativa de planejamento baseada em premissas que podem ser conferidas depois.

Essa separação melhora a conversa na loja. Em vez de pedir “quanto ele faz?”, leve uma pergunta verificável: “qual é a versão exata da proposta e qual linha PBEV corresponde a ela?”. Se a resposta não puder ser ligada a um documento, adie a comparação de custo.

Fontes consultadas